olha o boneco

O blog de fotografia do MEF-Movimento de Expressão Fotográfica

terça-feira

 

Adeus...

O poema de Eugénio de Andrade que mais me marcou...

Já gastamos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são como peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
Porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

(Eugénio de Andrade)


Da obra (artística) de Álvaro de Cunhal, pouco conheço. Se alguém quiser contribuir para a sua divulgação, estarei atento ao blog.





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